De volta a Hipnose

Nós hipnoterapeutas, psicólogos e psicanalistas sabemos o quão útil é a hipnose associada à Psicoterapia. Entretanto, o que vemos em alguns casos é o retrocesso da hipnose à época em que ela era usada apenas para eliminar os sintomas e não tratar as causas.
Aprisionar os traumas e sentimentos gerados diante de uma descarga emocional fortíssima é fazer com que o processo dinâmico do inconsciente busque sempre uma saída para os processos neuróticos até por manifestações psicossomáticas.
Para esse trabalho, podemos classificar a hipnose em três métodos principais: o método sugestivo/condicionativo, o catártico/expurgativo e o elaborativo.
O método sugestivo/condicionativo é popularmente o mais utilizado. Condiciono o cliente em estado de transe hipnótico, para que o mesmo quando sair do transe hipnótico, não sinta mais um determinado sintoma, como por exemplo, uma dor de coluna, medo, um baixa estima, enxaqueca, etc..(apenas sugestão, condicionamento)
O método catártico/expurgativo permite que durante o estado hipnótico, o cliente, libere uma gama de emoções reprimidas, que tiveram origem em situações onde estas mesmas emoções não puderam ser exteriorizadas.
O método elaborativo trabalha no sentido de minar as resistências ou mecanismos de defesa, que produz nas pessoas um impedimento constante, fazendo com que elas não possam expressar e processar uma situação traumática qualquer. A eliminação dessas resistências permite então que, mesmo em estado de vigília, o cliente tenha a capacidade de expressar a emoção que, antes se encontrava reprimida.
A grande vantagem do método catártico/expurgativo sobre o sugestivo/condicionativo é a de que, enquanto esse último apenas bloqueia os registros negativos da mente, não se preocupando em oferecer uma descarga para a tensão que os alimenta, o primeiro desenvolve um trabalho para providenciar aquela descarga, favorecendo o desaparecimento do sintoma por desprovê-lo da carga emocional que o alimentava.
Em resumo:
1) O método sugestivo/condicionativo tem por objetivo bloquear os registros negativos da mente, as expressões sintomáticas; quando bem sucedido, traz alívio imediato do sintoma, mas tem a desvantagem de não providenciar a liberação das tensões que o alimentavam. Freud desistiu da hipnose por esse motivo.
2) O método catártico/expurgativo providencia essa liberação, também traz alívio sintomático imediato, mas tem a desvantagem de não tomar as medidas necessárias para que se evitem novos acúmulos de tensão.
3) O método elaborativo providencia a liberação dos conteúdos tensionais, impede que aconteçam novos acúmulos, mas necessita às vezes de um tempo maior para alívio do processo sintomático.
No início do desenvolvimento da hipnose no século XIX, na época de Charcot, Freud, Bernheim e outros, as técnicas sugestivas eram predominantes no campo dos tratamentos psicoterápicos. Durante um curto período no fim do século passado, floresceu a hipnose catártico/expurgativa, dando suporte para o desenvolvimento das demais técnicas catárticas e neocatárticas em psicoterapia. Entretanto, logo após, as técnicas sugestivas/condiconativas e catárticas/expurgativas entraram em desuso, pelo desenvolvimento da Psicanálise. Freud, o criador dessa última, considerava que a hipnose jamais poderia ser elaborativa. Assim ela, e as técnicas sugestivas/condicionativas e catárticas/expurgativas, foram de certa forma banidas da psicoterapia oficial. Qual o resultado prático da volta da hipnose ao nosso tempo? É que hoje facilmente se encontrem profissionais exercendo a hipnose como terapia e não como ferramenta auxiliar. Utiliza-se a hipnose sugestiva/condicionativa para provocar um alívio sintomático mais imediato e, portanto, mais sedutor, mas com a desvantagem de que, com o tempo, seus efeitos não respondam as expectativas que são esperadas.
Assim, temos que evoluir na direção do estabelecimento de técnicas elaborativas; para não corrermos o risco de regredir há cem anos atrás, e de repente vermos o profissionalismo psi carregado de milagreiros, fazendo uso de uma ferramenta extremamente útil e maravilhosa apenas para trabalhar a sugestão/condicionamento.

Elias P. Lins

PENSAMENTO

O Homem criou um Deus com as qualidades que ele queria ter e não tem: Bondade, Amor, Poder, Justiça, Verdade, Sinceridade, etc...
Mas também criou um Diabo com as qualidades que ele tem mas que não deseja ter: Ambição, Corrupção, Injúria, Mentira, Falsidade, etc...
Por isso, muitas vezes o homem afirma para sí mesmo que ele é um nada.

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